sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
O mal é o que sai da boca do homem
Diz a sabedoria popular que ouvir é melhor do que falar. “Nascemos com dois ouvidos e uma boca para ouvirmos mais e falarmos menos; o silêncio é ouro; as palavras, como as abelhas, têm mel e ferrão; quando falar, cuide para que suas palavras sejam melhores que o silêncio; os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem; o homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute; quem fala o que quer, ouve o que não quer”.
São lições que todos aprendem quando crianças e procuram balizar o comportamento pela vida inteira. Para alguns, o exagero é a marca de seus pronunciamentos, onde se misturam verdades e mentiras, realidade e ficção. Nenhum outro personagem da história recente do Brasil protagonizou mais este papel que o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Com uma loquacidade desenvolvida em portas de fábricas, o então líder metalúrgico aprendeu que o efeito de um discurso muitas vezes vale mais que o conteúdo. E, desde então, tem se aprimorado nisto, em sua carreira de palanques.
Não só de deslizes populistas vive o presidente. Seus notórios discursos de improviso e metáforas criaram um estilo que, se atinge a rápida comunicação popular, resvala num simplismo incabível para a maior autoridade do País. Não foram poucas as vezes em que o falatório presidencial se rendeu ao viés da irresponsabilidade. Depois de tanta experiência, está mais do que na hora do metalúrgico vestir a carapuça de presidente e medir as besteiras populistas que não cabem na seriedade de um discurso oficial.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Poema à luz da praça 4
O calor da noite se dissipa
Nas notas da estranha sinfonia
Que tece uma rede de sentimentos
Aflorada na pela sensível do coração
Arrepios da alma que traduzem
A subjetiva solidão da saudade
Que aperta o peito e falta o ar
No orgasmo lúdico do imenso pesar
O barulho dos carros pela rua
Rompendo o silêncio da introspecção
Dão o ritmo dodecafônico da voz
Embargada pelos soluços da autopiedade
Nas notas da estranha sinfonia
Que tece uma rede de sentimentos
Aflorada na pela sensível do coração
Arrepios da alma que traduzem
A subjetiva solidão da saudade
Que aperta o peito e falta o ar
No orgasmo lúdico do imenso pesar
O barulho dos carros pela rua
Rompendo o silêncio da introspecção
Dão o ritmo dodecafônico da voz
Embargada pelos soluços da autopiedade
Gato no Bolsa Família
A criação de programas assistenciais oficiais tem por objetivo criar mecanismos de integração social, atendendo a uma clientela marcada pelo desequilíbrio econômico, pela falta de oportunidades ou por viverem em situações e áreas de alto risco. Nestes casos, os governos devem estar atentos na formatação dos programas, dando caráter técnico e educativo a todas as iniciativas de distribuição de bens e dinheiro, não apenas assistencialista na medida de tentar resolver o problema com a mera distribuição paternalista de verbas.
Há várias formas já testadas de programas voltados ao atendimento de carências sociais profundas, de modo a promover o equilíbrio, a equivalência e difundir a noção de cidadania como um direito de oportunidades e responsabilidades. Para tanto, é necessária a clara definição dos beneficiários, com cadastros técnicos que sustentem políticas assistenciais, atuando em áreas realmente necessárias e no sentido da promoção da cidadania.
Um olhar despreparado sobre a miséria do País pode detectar a urgência de ações imediatas para socorrer a fome de hoje, mas é preciso mais do que isto para construir um futuro melhor. De nada adiantam arroubos como o lançamento inoportuno do Programa Fome Zero, feito em meio a lágrimas de um presidente emocionado, sem qualquer retaguarda séria que pudesse tornar realidade um objetivo nobre, que se mostrou impossível de se alcançar com uma canetada.
O famigerado Bolsa Família acabou por se tornar um instrumento eleitoreiro calcado na melhor das intenções, levar uma renda mínima a famílias extremamente carentes. Mal estruturado, com critérios esquerdos de distribuição de benefícios, o programa atende de imediato o mal maior de um sem número de famílias, mas mostra-se inconveniente pela falta de propósitos mais duradouros.
O caso noticiado de um gato que recebeu auxílio do Bolsa Família por 7 meses mediante uma fraude do coordenador do programa em município do interior de Mato Grosso do Sul, mostra mais do que um relato irônico sobre como os brasileiros são rápidos em forjar situações de favorecimento ilícito. O problema maior é que o dinheiro é distribuído sem a necessidade de qualquer contrapartida dos beneficiários, perdendo-se excelente oportunidade de implantar conceitos de cidadania e participação, contribuição voluntária, além da obrigatoriedade de frequência escolar.
Bastaria que a distribuição do dinheiro obedecesse a critérios sérios de inclusão, com controle da aplicação dos recursos, atualização constante do cadastro de beneficiários, plantando sementes que possam fazer a verdadeira promoção social, que consiste em tirar famílias da faixa de miséria, inserindo-as no convívio de cidadania. Oferecer menos que isto é esmola.
(Correio Popular, 29/1)
Folha

A folha vai voando
Levada por mais um vento
Do outono que chegou
Levada por mais um vento
Do outono que chegou
(Haikai, Teresa Costa http://mteresabr.wordpress.com/)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Kind of Blue
Pensei em escrever a respeito, mas tudo já foi dito no blog do Bruno Ribeiro, que reproduzo para os amigos...
Algumas coisas deveriam ser obrigatórias na vida. Uma delas é ouvir Kind of Blue, o melhor disco da carreira de Miles Davis. Prestes a completar 50 anos, o álbum continua moderno e atemporal. Além de Miles Davis (trompete), participaram da antológica gravação John Coltrane (saxofone), Paul Chambers (baixo), Jimmy Cobb (bateria) e Bill Evans (piano).
Kind of Blue foi um definidor de estilo e mudou a forma de se tocar jazz. Basta lembrar que antes dele o improviso era feito apenas sobre a sequência harmônica. Miles provou ser possível improvisar sobre escalas - a técnica ficou conhecida como jazz modal e foi adotada por quase todos os instrumentistas.
O disco chegou a ser tão popular quanto uma xícara de açúcar. Quem conta é o guitarrista John Scofield, em depoimento ao jornalista Ashley Kahn: "Lembro de, no começo dos anos 70, estar com amigos no apartamento de um baixista e ninguém ter o Kind of Blue. Então, às duas da manhã, ele resolveu ir até o vizinho pedir o disco emprestado, sem conhecê-lo, na certeza absoluta de que teria um. E tinha!". Cercado de uma atmosfera intimista e sensual, Kind of Blue não é apenas um belo disco, mas um manual que nos ensina a viver melhor.
(Do Botequim do Bruno Ribeiro http://www.cosmo.com.br/blog/blog.php?blog_id=12)
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Falsas escolhas
É falsa a escolha entre combater o crime com eficiência e respeitar os direitos humanos, uma discussão cotidiana entre nós. É falsa a escolha entre educação de massa sem qualidade e educação de qualidade para poucos, outra questão que nos divide há anos. É falsa a escolha, implícita em muitas biografias políticas, entre ser corrupto e fazer muito e ser ético e não fazer nada. E, já que estamos no meio desta crise não só econômica como de velhos conceitos, é falsa a escolha entre estado regulador e ideais democráticos.
(Luiz Fernando Verissimo, Correio Popular, 28/1)
A massa
A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar
Moinho de homens que nem girimuns amassados
Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe, da massa
When I remember of "massa" of manioc
Nunca mais me fizeram aquela presença, mãe
Da massa que planta a mandioca, mãe
A massa que eu falo é a que passa fome, mãe
A massa que planta a mandioca, mãe
Quand je rappele de la masse du manioc, mére
Quando eu lembro da massa da mandioca
Lelé meu amor lelé
no cabo da minha enxada não conheço "coroné"
Eu quero mas não quero (camarão).
Minha mulher na função (camarão)
Que está livre de um abraço, mas não está de um beliscão
Torna a repetir meu amor: ai, ai, ai!
É que o guarda civil não quer a roupa no quarador
Meu Deus onde vai parar, parar essa massa
Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa
(A Massa, Raimundo Sodré/Jorge Portugal)
Diretas-Já, um momento de transformação
A história política de um país se escreve com linhas de bravura, ideologia, destemor, capacidade de transformar a sociedade, luta pelo direito e o enfrentamento das forças mais poderosas que insistem em se apoderar do bem comum em proveito próprio. A démarche da cidadania se fez presente ao longo da construção do Brasil, soberanamente governado pelos representantes da aristocracia colonial até evoluir para um sistema representativo mais pleno, livre de arbitrariedades e períodos de exceção.
O brasileiro, normalmente afeito à mansidão política, poucas vezes teve arroubos de protesto ou tentativa de transformar o quadro político através de manifestações abertas e de força. A luta armada sempre teve pouco peso e apoio na população, que prefere a natural indolência a assumir compromissos e responsabilidades. O golpe de 1964, quando os militares atingiram o poder, contou com o apoio da sociedade no primeiro momento, e com a apatia geral quando o período de exceção se estendeu até 1985, quando foi oficialmente restabelecida a eleição direta para presidente da República.
Em raro momento de lucidez e engajamento, a sociedade brasileira deu importante e marcante demonstração de civismo há exatos 25 anos, com a realização dos comícios pelas Diretas-Já, movimento iniciado em 1983 e que teve o ponto alto no ano seguinte, quando reuniu 300 mil pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, reverberando um grito de protesto que se espalharia por todo o País, mudando a história.
As lições deste episódio é que muitas das transformações podem e devem acontecer com a mobilização consciente de cada cidadão, criando uma corrente de força capaz de influenciar decisões, alterar o status quo, impor condições sociais e alavancar processos de mudança no caminho da normalidade democrática. Aperfeiçoar o sistema é uma luta constante onde não se pode transigir. Na história brasileira, a campanha das Diretas-Já colocou no mesmo palanque todas as vozes de oposição, alinhando Lula e FHC, entre tantas lideranças, que depois tomaram rumos diferentes em suas histórias particulares.
O tempo político de hoje é diferente, mas está a exigir um mote de aglutinação, que extrapole as amarras partidárias e una as forças no caminho de uma administração que priorize a sociedade. Não há porque se submeter à lógica partidária de interesses e negociatas, onde não existem mais ideologias, para dar lugar a um plano de intervenção séria, acima de politicagens ou interesses mesquinhos que têm sacrificado a boa política.
Das lideranças que cumprem mandatos, espera-se que mantenham as portas abertas ao diálogo e aproximação, como verdadeiros administradores que veem parceiros, não adversários. E que, juntos, possam levantar a bandeira da Moralidade-Já como tema principal onde a voz da população possa ser ouvida mais uma vez, com entusiasmo e participação como sinal de um novo tempo.
(Correio Popular, 27/1)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Universo do teu corpo
Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si
Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nesta vida sem amor que eu aprendi
Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto no universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu porto
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção
Ah, vem que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
(Universo do teu corpo, Taiguara)
Cogito, de Torquato Neto
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
(Cogito, Torquato Neto)
O desespero e a dor de não punir culpados
De tempos em tempos, e com frequência cada vez maior, a sociedade é sacudida com casos extremos de violência que comovem a opinião pública e deixam profundas marcas da barbárie humana sobre seus semelhantes. As ocorrências se sucedem em escala preocupante, trazendo a realidade de que o aparato de segurança não está minimamente preparado para dar solução aos casos. O sistema mostra-se falho na maioria das vezes, deixando os cidadãos sem alternativas de obter apoio.
O índice de elucidação de casos de crimes é extremamente baixo. No caso de solução decorrente de um trabalho sério de investigação, é praticamente nulo. A Polícia Civil não tem estrutura para dar conta do atendimento à rotina básica de segurança e dizer de trabalho de inteligência e polícia técnica soa fantasioso. O acúmulo de processos em delegacias é imenso e as ações contra o crime organizado e quadrilhas se resumem à verificação de denúncias e, muito eventualmente, alguma evidência decorrente de outra ocorrência.
Na posição de vítimas, cabe aos cidadãos comuns buscarem a própria segurança e se conformarem com a indiferença nos distritos policiais, onde a burocracia se instala para o registro de ocorrências que parecem servir apenas para alimentar estatísticas e servir à esfera da polícia judiciária. Querer saber do andamento dos inquéritos e ter esperança de que algum crime esteja sendo acompanhado beira a ingenuidade de quem não se dá conta da fragilidade da Segurança.
A reação emocional da família do jovem Renato Dobelin, assassinado há um ano em Sumaré, vale como registro de um fundamentado protesto. Depois de infrutífera peregrinação pelos distritos atrás de informações sobre os assaltantes que mataram friamente seu filho, o pai não conseguiu se conter e tornou pública sua indignação com cartazes espalhados nas rua pedindo justiça.
A revolta se justifica. Dia após dia, a família viu que nada estava sendo feito, nenhum esforço de identificação dos criminosos. Em verdade, o caso está provavelmente esquecido em alguma gaveta, junto com tantos outros que terão o mesmo destino até que sejam efetivamente arquivados ou reabertos a partir de uma confissão improvável ou associação com alguma outra tragédia que não tardará a se repetir, como o caso de latrocínio em Holambra, acontecido há pouco mais de uma semana em circunstâncias semelhantes e não menos chocantes.
O gesto desesperado da família Dobelin é uma tentativa de obter o consolo de que aqueles responsáveis pela morte do jovem não estão por aí, provavelmente delinquindo, ameaçando as pessoas, fazendo da violência o seu dia a dia. Não se trata de vingança pura e simplesmente, mas da profunda indignação diante da impunidade que toma conta da sociedade e é inoculada de volta no sistema, alimentando o círculo vicioso da violência por não conseguir impor as razões de justiça e responsabilidade.
(Correio Popular, 24/1)
sábado, 24 de janeiro de 2009
Easy to be hard
How can people be so heartless
How can people be so cruel
Easy to be hard
Easy to be cold
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be proud
Easy to say no
And especially people
Who care about strangers
Who care about evil
And social injustice
Do you only
Care about the bleeding crowd?
How about a needing friend?
I need a friend
How can people be so heartless
You know I'm hung up on you
Easy to give in
Easy to help out
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be hard
Easy to be cold
Easy to be proud
Easy to say no
(Easy to Be Hard, Musical Hair)
How can people be so cruel
Easy to be hard
Easy to be cold
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be proud
Easy to say no
And especially people
Who care about strangers
Who care about evil
And social injustice
Do you only
Care about the bleeding crowd?
How about a needing friend?
I need a friend
How can people be so heartless
You know I'm hung up on you
Easy to give in
Easy to help out
How can people have no feelings
How can they ignore their friends
Easy to be hard
Easy to be cold
Easy to be proud
Easy to say no
(Easy to Be Hard, Musical Hair)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Poema à luz da praça 3
Os vasos que contém a história
Ressuscitam os mortos de ontem
Trazendo à luz do dia as lembranças
Da morte em vida que não foi vivida
Drástica
Serena
Tranquila
Do perceber que o pouco transgride
Quando se pensa apenas no amanhã
A vida sobrevive no momento
Que louco, efêmero, acaba no prazer
A sociedade e o capricho de criminosos
Quando a força fala mais forte que a razão e os argumentos se perdem no emaranhado da ignorância que descarta a moral, o resultado são ações violentas que buscam impor uma verdade que fere os princípios da decência e da cidadania. É assim que agem os fracos e desprovidos de consciência coletiva, os que entendem ser o mundo o palco para seu próprio desiderato e vontade.
Na noite de quarta-feira, a Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) sofreu um violento atentado, uma criminosa e planejada ação que, por sorte e imperícia, não trouxe consequências mais graves. A tentativa de fazer explodir uma granada contra o prédio da empresa, em local onde trabalham funcionários da empresa, foi um gesto da mais absoluta intolerância, do total desrespeito à vida humana, da irresponsabilidade de colocar em risco pessoas inocentes e alheias a quaisquer problemas que possam ter motivado a ação covarde. A tentativa, registrada pelas câmeras de segurança da empresa, foi da mais alta crueldade. Foi um atentado intencional, deliberado e com uso desmedido da força. O poder de destruição do artefato é real e apenas o acaso impediu os danos ao prédio e morte de pessoas.
A gravidade do atentado expõe também o estado de desamparo a que a sociedade se submete. A criminalidade anda solta, a impunidade é quase a regra e destaca-se a alta periculosidade de grupos que demonstram ser capazes de agir com desfaçatez e arrogância para tentar impor o seu padrão de moral e comportamento. Como nos atentados perpetrados pelo PCC contra os distritos policiais em 2006, quando o crime quis de mostrar organizado, coordenando ataques que surpreenderam pela audácia e violência, há ainda remanescentes das quadrilhas que julgam estar acima da lei e da ordem.
A intenção é clara. Sejam quem forem os autores do ataque ou seus ordenantes, o que está por trás de tudo é a tentativa de intimidação da imprensa, de cercear o direito de manifestação, a liberdade de pensamento. É preciso que o mentor do ataque tenha consciência de que é possível intimidar um jornalista. Até é possível acuar um jornal. Mas a imprensa é maior do que isto. Atos de violência desta natureza apenas fazem com que as empresas de comunicação se preparem ainda melhor para manter o seu compromisso de informar e alertar a população, mesmo contra todas as disposições contrárias daqueles pouco afeitos à normalidade legal.
Atentados como este e outras manifestações de violência mostram o quanto a sociedade está doente, o quanto a segurança é frágil. Num átimo, pode-se perder a vida, um ente querido, um bem, tomados à força pela intolerância, pela arrogância de uns poucos que acham que podem agir à revelia da ordem e impor seu padrão de comportamento violento, seguros de que o mundo deve se render a seus caprichos.
(Editorial Correio Popular, 23/1)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Granada é atirada contra prédio da RAC
O prédio da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), em Campinas, na Vila Industrial, foi alvo de um atentado por volta das 21h de quarta-feira (21). As imagens do sistema de monitoramento eletrônico da empresa flagraram três rapazes. Na ação, eles quebraram uma janela com um martelo, atiraram uma granada e saíram correndo pela Rua Dr. Roberto Thut, fugindo em um carro, modelo Gol, da cor cinza, que os esperava próximo à esquina com a Avenida General Carneiro. O artefato bateu na janela, caiu na rua de paralelepípedos junto à calçada e não explodiu.
A Polícia Militar (PM) foi acionada, assim como o esquadrão antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Capital, que interditaram o local.
Segundo avaliações preliminares de policiais que atenderam à ocorrência, a granada é de uso militar, com alto poder de destruição. O dano provocado pela explosão desse artefato poderia atingir pessoas e objetos num raio de 20 metros. De acordo com o soldado PM Idalino Gomes da Silva, que por três anos trabalhou como especialista em explosivos no extinto grupamento Ações Táticas Especiais de Campinas (Atac), quem cometeu o atentado não sabia manusear uma granada. A conclusão se reforça pela maneira como o explosivo foi encontrado: com a alça de segurança quebrada, mas com o pino travado. Uma granada explode oito segundos depois do destravamento do pino. “Quem manuseou esse artefato, provavelmente, quebrou a alça de segurança, e saiu correndo pensando que fosse explodir quando caiu no chão”, avaliou.
A granada, no entanto, ainda será periciada pela equipe do Gate. Segundo os policiais, somente após essa análise será possível identificar o modelo e o grau de destruição da granada.
O caso será registrado no plantão do 1º Distrito Policial (DP) de Campinas. Segundo o delegado Rodrigo Galazzo, a apuração da ocorrência será comandada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “O boletim de ocorrência será registrado no 1º DP como tentativa de dano qualificado com o uso de explosivo”, disse Galazzo.
Imagens do circuito de segurança da RAC mostram três rapazes, todos com boné, caminhando tranquilamente pela Rua Dr. Roberto Thut. Quando se aproximaram do prédio, eles se dividiram. Dois seguiram para o início da rua e um deles se aproximou da janela. A ação foi rápida. Em questão de segundos o vidro foi quebrado e a granada arremessada. Em seguida, os três correram em direção ao carro estacionado na esquina da Avenida General Carneiro.
Segundo testemunhas, os três, no caminho em direção ao prédio, diziam “vamos acabar com eles”. Cerca de três horas após o atentado, quando a polícia ainda aguardava nas proximidades da RAC a chegada do esquadrão antibombas, a telefonista da empresa recebeu uma ligação com uma ameaça. “Esse é apenas o começo”, disse uma voz feminina.
A Polícia Militar (PM) foi acionada, assim como o esquadrão antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Capital, que interditaram o local.
Segundo avaliações preliminares de policiais que atenderam à ocorrência, a granada é de uso militar, com alto poder de destruição. O dano provocado pela explosão desse artefato poderia atingir pessoas e objetos num raio de 20 metros. De acordo com o soldado PM Idalino Gomes da Silva, que por três anos trabalhou como especialista em explosivos no extinto grupamento Ações Táticas Especiais de Campinas (Atac), quem cometeu o atentado não sabia manusear uma granada. A conclusão se reforça pela maneira como o explosivo foi encontrado: com a alça de segurança quebrada, mas com o pino travado. Uma granada explode oito segundos depois do destravamento do pino. “Quem manuseou esse artefato, provavelmente, quebrou a alça de segurança, e saiu correndo pensando que fosse explodir quando caiu no chão”, avaliou.
A granada, no entanto, ainda será periciada pela equipe do Gate. Segundo os policiais, somente após essa análise será possível identificar o modelo e o grau de destruição da granada.
O caso será registrado no plantão do 1º Distrito Policial (DP) de Campinas. Segundo o delegado Rodrigo Galazzo, a apuração da ocorrência será comandada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “O boletim de ocorrência será registrado no 1º DP como tentativa de dano qualificado com o uso de explosivo”, disse Galazzo.
Imagens do circuito de segurança da RAC mostram três rapazes, todos com boné, caminhando tranquilamente pela Rua Dr. Roberto Thut. Quando se aproximaram do prédio, eles se dividiram. Dois seguiram para o início da rua e um deles se aproximou da janela. A ação foi rápida. Em questão de segundos o vidro foi quebrado e a granada arremessada. Em seguida, os três correram em direção ao carro estacionado na esquina da Avenida General Carneiro.
Segundo testemunhas, os três, no caminho em direção ao prédio, diziam “vamos acabar com eles”. Cerca de três horas após o atentado, quando a polícia ainda aguardava nas proximidades da RAC a chegada do esquadrão antibombas, a telefonista da empresa recebeu uma ligação com uma ameaça. “Esse é apenas o começo”, disse uma voz feminina.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A palavra / Pablo Neruda
... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A expectativa de uma nova era nos EUA
O mundo vive um momento especial de grande expectativa. A aproximação do fim da primeira década do século 21 oferece a oportunidade de um balanço de todos os acontecimentos que marcaram a história da humanidade em ritmo vertiginoso de transformações, que muitas vezes são difíceis de compreender em seu contexto temporal. Desde o simbolismo esotérico da chegada do ano 2000, o mundo convulsionou-se de tal forma que mesmo os mais atentos analistas se surpreendem. Os ataques terroristas a Nova York em 2001 criaram uma clara linha no tempo, como se a história precisasse ser contada com um antes e um depois do choque.
Os conflitos comprovam que a humanidade está longe de gozar de momentos de paz. As diferenças sociais, culturais, econômicas, ideológicas e de credo se aprofundaram, exigindo uma busca constante de personalidades que possam liderar no caminho da harmonia. Para arrematar, a crise mundial eclodida no segundo semestre do ano passado pautou todos os investimentos e ações ao redor do planeta, destruindo riquezas e trazendo a preocupação de reorganizar o sistema econômico na perspectiva da inversão de valores de rendimentos e produção.
Este painel de problemas está colocado à frente de outro fato relevante que se concretiza nesta terça-feira. Os Estados Unidos da América se preparam para a abertura de um novo mandato presidencial, com o negro Barack Obama carregando todo o peso da expectativa mundial de transformação. Nascida no seio da convulsão, a candidatura do democrata apoiou-se na necessidade evidente de pôr um fim na era Bush, símbolo de um dos períodos mais tristes da história americana moderna. A simpatia despertada em todo o mundo carregou de tintas fortes o discurso de mudanças, a ponto de as pessoas divisarem um neomessianismo caracterizado pela forte emoção demonstrada por líderes de todo o mundo com a ascensão de Obama.
Fazer frente às expectativas de grande parte das pessoas não é o maior desafio do novo presidente norte-americano. O primeiro dia à frente da Casa Branca já tem um peso extraordinário a ser carregado por qualquer ser humano. O papel de influência dos EUA nos destinos do mundo ainda é incontestável e cada passo que o gigante dá reverbera em todos os continentes, seja pelo cacife econômico, político ou militar. E há questões urgentes a serem enfrentadas decisivamente já nos primeiros dias.
Duas guerras em curso provocam apreensão na comunidade internacional. O infindável conflito no Iraque é a maior herança da dinastia Bush e onde se esperam decisões impactantes. Obama, em gesto de marketing político, garantiu o fechamento da prisão em Guantánamo no primeiro dia com assento na Casa Branca. O cronograma de retirada de tropas americanas é o próximo passo. Na Faixa de Gaza, o mundo espera que os Estados Unidos finalmente se posicionem para garantir o fim do conflito e abertura de negociações de paz.
Finalmente, o novo presidente tem os olhos voltados para si no contexto de alicerçar a recuperação da economia diante da crise, o que será fundamental para definir o humor do mercado financeiro e recuperar o nível de crédito em efeito dominó.
Diante de tantas atenções e expectativas, a posse de Obama tende a ser mais um fato marcante neste início de século. E a esperança maior é de que, aos poucos, o mundo possa encontrar um caminho melhor para trilhar, sem superestimar a capacidade pessoal de uma importante personagem ou de um único país.
(Editorial Correio Popular, 19/1)
domingo, 18 de janeiro de 2009
Ne Me Quitte Pas (Não me Deixes)
Não me deixes,
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes,
Não me deixes,
Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes,
Não me deixes
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes,
Não me deixes
Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casamPara que o céu se inflame.
Não me deixes,
Não me deixes
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
eixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes,
Não me deixes
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarderDanser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
(Ne Me Quitte Pas, Jacques Brel)
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes,
Não me deixes,
Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes,
Não me deixes
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes,
Não me deixes
Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casamPara que o céu se inflame.
Não me deixes,
Não me deixes
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
eixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes,
Não me deixes
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarderDanser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
(Ne Me Quitte Pas, Jacques Brel)
sábado, 17 de janeiro de 2009
Lampejos da esquerda ultrapassada
A chegada de Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados ao poder trouxe uma série de transformações importantes na política brasileira, menos que os alarmistas esperavam com a ascenção da esquerda e menos que seus correligionários gostariam de ver realizado. Em meio a acertos, contradições e graves denúncias, o grupo que se aboletou no poder avançou em algumas áreas, transformando o cenário das relações, introduzindo algumas práticas que causam estranhamento no meio brasileiro. O novo governo, já em seu segundo mandato, segue a trilha continuísta que tem garantido um País com economia estabilizada, instituições sólidas, ocupando espaços importantes na nova ordem globalizada.
As mais criticadas ações estão justamente na tendência esquerdizante de fazer política. Em lampejos obscuros, a ideologia se sobrepõe à serenidade exigida pelos cargos e os responsáveis derrapam em atitudes e julgamentos marcados por posições extremas, fundamentadas em experiências pessoais, em flagrante complacência com delitos e deslizes de companheiros, em camaradagem que se antecipa ao maior interesse nacional.
O recente episódio do asilo político a Cesare Battisti, concedido pelo ministro Tarso Genro unilateralmente, colocou o Brasil em rota de colisão diplomática com a Itália, onde o terrorista é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. Contrariando decisões consolidadas da Justiça italiana, da França e da Corte Europeia de Direitos Humanos, o Brasil dá abrigo a um criminoso sob alegação de defesa de seus direitos. É mais um passo dado à esquerda, como a justificar a ação do grupo Proletários Armados pelo Comunismo que promoveu ações terroristas extremas nos anos 70.
Antes, estes lampejos foram responsáveis pela extradição sumária dos boxeadores cubanos, repatriados em tempo recorde, pelo tentativa de expulsão do jornalista do New York Times, além de uma canhestra política de aproximação com governos como os de Evo Morales e Hugo Chávez, este um ditador travestido de democrata. Soma-se ainda a indústria das indenizações pagas a pretensos perseguidos da época da ditadura militar, com milionários e questionáveis processos.
Não se pode dizer que o governo brasileiro tem postura esquerdista, até porque Lula confessa não ser ideologizado a este ponto. Mas alguns de seus assessores, talvez por vício histórico, insistem em tomar atitudes que entregam resquícios de uma formação mais radical, como o próprio ministro Tarso Genro, que insiste em trazer à discussão a questão da tortura no Brasil, o ex-assessor para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia, o ex-Chefe da Casa Civil José Dirceu e sua sucessora, Dilma Rousseff, todos com passagens pela luta armada em tempos distantes, que parecem resistir às mudanças e tentar ressuscitar fantasmas que até a esquerda mais moderna tenta deixar arquivados nos escaninhos do passado.
(Editorial Correio Popular 17/1)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Poema à luz da praça 2
Com as notas elevadas à perfeição
Brahms eleva o espírito
Trazendo lembranças fluidas
Entoadas ao rés do chão
O violino soa tangente
Como o pássaro cego da canção
Vergando as flores sob o peso
Da derradeira estação
O sentimento se traduz em lágrima
Sob o céu de uma lua tranquila
Imersa na sombra da noite
O fim se mostra muito próximo
Renovado em sutil provação
Esgotada a esperança, afinal
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