terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Reunião de bacana


Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Você me chamou para esse pagode
E me avisou aqui não tem pobre
Até me pediu pra pisar de mansinho
Porque sou da cor eu sou escurinho

Aqui realmente está toda nata
Doutores, senhores até magnatas
Com a bebedeira e a discussão
Tirei a minha conclusão:

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um


Lugar meu amigo é a minha Baixada
Que ando tranquilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça
Pois não há ladrão e é boa a polícia

Lá até parece a Suécia bacana
Só se leva o bagulho e se deixa a grana
Não é como esse ambiente pesado
Que você me trouxe para ser roubado.

(Reunião de bacana, Exporta Samba)

You've got a friend

When you're down and troubled
And you need some loving care
And nothing, oh nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights

You just call out my name, and you know wherever I am
I'll come running to see you again
Winter, spring, summer, or fall,
All you got to do is call
And I'll be there, yes I will
You've got a friend

If the sky above you
Should turn dark and full of clouds
And that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud now
And soon I'll be knocking upon your door

Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
When people can be so cold
They'll hurt you and desert you.
They'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.

(You've got a friend, Carole King)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Trote violento e cidadania


Há tantas dificuldades a serem superadas para ingressar em cursos de nível superior que o rito de passagem merece e deve ser marcado de forma definitiva na vida das pessoas, assim como a graduação final é uma etapa importantíssima que sempre é celebrada como o cumprimento de uma tarefa e início de uma temporada de maior responsabilidade pessoal, profissional e acadêmica.


O trote sempre teve o espírito de informalidade e quebra de padrões, transformando o acesso às faculdades em uma grande festa, uma comemoração que tinha por princípio entrosar os calouros com os veteranos, como preparando a introdução a uma vida acadêmica de muito trabalho e dedicação. As tradições de cortar cabelos, pintar o rosto dos novatos e descaracterizar as roupas remontam à Idade Média, quando os jovens camponeses eram admitidos em escolas dos nobres, não sem antes terem as roupas rasgadas no vestíbulo das instituições, cabelos cortados e serem cobertos de remédio para piolhos e parasitas, para que não contagiassem os filhos da nobreza.

As distorções não tardaram e o que deveria ser sempre uma atividade de congraçamento e boas-vindas se tornou brincadeiras de humilhação, de mau gosto, violência, agressões e, em casos mais dramáticos, morte. Os trotes passaram a ser mal vistos por parcela da sociedade e muitas instituições trataram de interferir na forma de comemorar, assumindo a responsabilidade sobre o que acontece neste período, mesmo fora dos campi. Os abusos aos poucos foram sendo substituídos por atividades inteligentes, de cunho social e comunitário, mesmo sem perder o caráter festivo e de confraternização.

Alguns nichos ainda resistem aos novos costumes. Ainda é possível ver jovens estudantes humilhando-se em semáforos, esmolando para a aquisição de bebidas alcoólicas para veteranos, em atitude que não tem o menor resquício de comemoração ou entrosamento. E persistem abusos, como o registrado na quarta-feira, quando um mendigo foi agredido por estudantes de Direito ao se aproximar do local onde era aplicado trote em calouros. Abusando da condição frágil da vítima, os alunos rasparam seu cabelo, sobrancelhas, ele teve braços e pernas pichados, dentadura quebrada e ainda suas roupas encharcadas de bebida.

Não há explicação ou justificativa para estes gestos, por mais inconveniente que a vítima possa ter-se mostrado pela dependência alcoolista. A condição de pretensa lucidez dos estudantes apenas agrava a intenção de agressão, mostrando um total desrespeito pelo ser humano, em ato demonstrativo de selvageria e péssimos costumes. A Polícia deve lidar com o assunto com a seriedade que a agressão requer e a instituição educacional rever seus critérios de disciplina, estabelecendo condições para que seus alunos usem o pretexto da volta às aulas para mostrar seu lado menos educado. É preciso despertar em todos a consciência de que festa não suprime os limites de civilidade e respeito.

(Correio Popular, 7/2)



A chuva passou –
na poça d´água surge
o reflexo da lua

(Haikais, Teresa Costa http://mteresabr.wordpress.com/)

Sentado à beira de um caminho

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
que um dia, de repente, você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim

Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste
onde a tristeza e a saudade de você ainda existem
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
de ao menos ver de perto o seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto
minhas lágrimas e os pingos dessa chuvase confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo
se confunde em minha frente
minha sombra me acompanha
e vê que eu estou morrendo lentamente

Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

(Sentado à beira de um caminho, Roberto e Erasmo Carlos)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Intolerância é a marca dos prepotentes

Ao colocar o fotógrafo da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) em cárcere privado na noite de quarta-feira quando estava exercendo o seu trabalho de cobertura da queda de blocos de gesso no interior da sede da Igreja Universal do Reino de Deus, em Campinas, o pastor Carlos Carontenuto Filho protagonizou uma situação inusitada que quase fugiu do controle, não fosse a ação determinante de uma equipe do Grupo de Ação e Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da Polícia Militar. O incidente não teria razão de acontecer não fosse insuflado pela atitude destemperada do pastor, que impediu a saída do jornalista enquanto este não inutilizasse as fotos feitas dentro do templo na Avenida João Jorge.

As variáveis do caso são muitas, mas todas esbarram na absoluta falta de diálogo e intransigência. Ao se dirigir ao templo, onde se registrava ocorrência com o Corpo de Bombeiros, o fotógrafo Gustavo Magnusson cumpriu os procedimentos de praxe na cobertura de acidentes. Não houve vítimas, tampouco pânico, tudo não passaria de mais uma ocorrência normal que talvez sequer merecesse o registro de destaque no jornal. Mas a prepotência e petulância do pastor responsável pelo local no momento fez com que a situação fugisse do controle e, num lapso de autoritarismo sem base legal, arrogou-se o direito de deter por meia hora o jornalista até que este cedesse o equipamento ou as fotos tiradas.

A situação, caracterizada como cárcere privado, deverá ser julgada nos fóruns adequados a que o jornal recorrerá diante da brutal agressão sofrida por um de seus funcionários. O que não se pode aceitar sob qualquer argumento é que um indivíduo, na condição de pastor, rasgue todos os preceitos da liberdade de expressão e respeito ao próximo, ao tentar reverter uma situação com violência, com desproporcional reação e histrionismo que não cabe a um dirigente de uma comunidade religiosa. O risco de um local de frequência pública implica que a imprensa tem a obrigação de se fazer presente e os responsáveis prestarem conta de fatos que podem colocar pessoas em risco. Não foi o caso e o incidente apenas agravou o que poderia ser uma situação de rotina para fiéis, polícia, bombeiros e imprensa.

O episódio nonsense não encontra resguardo legal. O pedido de apreensão do equipamento do jornal denota apenas um estertor de autoritarismo que não se baseia no direito ou na preservação de interesses, caracteriza apenas um senso distorcido de autoridade forjada pela ignorância e prepotência.

A intolerância é geralmente a marca maior dos prepotentes, dos que não se vergam pelas opiniões alheias, aqueles que se pretendem acima do bem e do mal. As atitudes autoritárias são aquelas que patenteiam o desrespeito a outras formas de expressão, a condição de se julgar dono da verdade absoluta, da tirania de se entender melhor que os demais. Quando a arrogância se soma a todos estes fatores, facilmente as relações descambam para a violência ou para o destempero. E neste contexto, a razão foge diante da realidade dos fatos.

Cárcere privado, Constituição e imprensa

O amigo Bruno Ribeiro, sempre atento, fez comentário importante sobre o caso do cárcere privado do nosso colega Gustavo Magnusson. É interessante ler...

http://www.cosmo.com.br/blog/blog_post.php?post_id=5368&blog_id=12

Alucinação

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais...

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais...

Um preto, um pobre
Uma estudante
Uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas
Pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite
Revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque
Com os seus jornais...

Carneiros, mesa, trabalho
Meu corpo que cai
Do oitavo andar
E a solidão das pessoas
Dessas capitais
A violência da noite
O movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre
Que canta e requebra
É demais!...

Cravos, espinhas no rosto
Rock, Hot Dog
"Play it cool, Baby"
Doze Jovens Coloridos
Dois Policiais
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida

Mas eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Longe o profeta do terror
Que a laranja mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais...

(Alucinação, Belchior)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fotógrafo da RAC fica detido na Universal

O fotógrafo Gustavo Magnusson, da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), foi mantido em cárcere privado após registrar a queda de blocos de gesso que revestem o teto do templo da Igreja Universal do Reino de Deus na Avenida João Jorge, em Campinas, no início da noite de quarta-feira. O repórter-fotográfico, durante o seu trabalho, foi abordado por seguranças e pelo pastor Carlos, que o ameaçaram, pedindo a entrega do material fotográfico como condição para a sua libertação.

A Delegacia Seccional de Campinas foi acionada pelo jornal e enviou ao local uma equipe do Grupo de Ação e Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Diante da resistência dos funcionários do templo em libertar o fotógrafo, os policiais comunicaram que, se não houvesse a liberação imediata, invadiriam o templo e prenderiam os responsáveis. Depois de alguns minutos, o fotógrafo deixou a igreja em uma viatura do Garra, mas acompanhado por um representante da Igreja Universal.

Um boletim de ocorrência (BO) foi registrado no 1º Distrito Policial (DP) de Campinas. A Polícia Civil vai instaurar um inquérito para apurar as condições em que o fotógrafo foi mantido sob cárcere privado durante cerca de 30 minutos. Na delegacia, os seguranças afirmaram que mantiveram o fotógrafo dentro da Igreja e exigiram o material porque não havia autorização para o registro das imagens.

(Cosmo on Line, 4/2)

Mais reflexões sobre Chávez



A América Latina está longe de se afirmar como um conglomerado de países finamente articulados em um propósito comum, uma linearidade de ações e uma convergência de intenções. Com uma imagem forjada na pobreza e no isolamento em relação ao hemisfério Norte, as repúblicas de bananas de multiplicaram em discursos anacrônicos, em ditadores caudilhescos, em economias frágeis de base primária, dependentes da intervenção e apoios externos.


Nem mesmo as transformações de um mundo globalizado, onde as fronteiras econômicas se rebaixaram, trouxeram ares de modernidade, havendo nichos onde ainda prevalecem culturas arcaicas, ênfase no poder controlador do Estado, alimentando políticas paternalistas que condenam os cidadãos a um nível de consciência menos crítico, envolto em entusiasmos messiânicos como a esperar a cada novo patrón as decisões capazes de mudar o mundo para melhor.

É no meio de tantos anacronismos que se sustentam figuras esdrúxulas como o histriônico presidente Hugo Chávez, que faz da Venezuela o seu quintal de vaidades, arrogando-se uma importância de líder que manipula os dados políticos na tentativa de legitimar um poder que já se estende por longos dez anos, já com características de se estender indefinidamente. A comemoração do decênio foi marcada por entusiasmadas manifestações de correligionários e simpatizantes, espalhados por todo o mundo em núcleos de resistência.

O comportamento de Chávez é emblemático. Em nome de uma pretensa revolução bolivariana para implantação do socialismo do século 21 - em versão nanica projetada pelo próprio - o caudilho vai se afirmando como influência nefasta além das suas fronteiras. Já se pode notar seus trejeitos nos discursos de Evo Morales e Rafael Corrêa, que rapidamente acederam simpaticamente à atrapalhada noção de autodeterminação e consciência de união regional identificada por um viés de esquerda.

São suspeitos os apoios manifestados à política continuísta de Chávez. Do Brasil, as representações de esquerda mais retrógradas se manifestam simpaticamente, e até o presidente Lula prestou-se a fazer campanha pela indicação de mandato indefinido para seu companheiro, esquecendo-se momentaneamente da vocação democrática que deveria orientar os governos legítimos e respeitadores constitucionais. Hugo Chávez é um ditador que manipula a opinião pública através de um parlamento situacionista, do amordaçamento da imprensa, fechamento de emissoras de oposição, do uso da força e da pressão para impor seus interesses pessoais e do grupo que o apoia. Nem mesmo os arroubos populistas contra o governo norte-americano, frequentemente chamado de império do demônio, são verdadeiros, mas uma pantomima que se contradiz nas parcerias comerciais e econômicas entre os dois países.

Ao completar 10 anos no poder, a lição deixada pelo chavismo na América Latina é de aversão ao totalitarismo de esquerda, pelo fim de governos caudilhos e com intenções ditatoriais, que outorgaram anos de atraso à região, com raras exceções como a brasileira, onde o respeito às instituições ainda prevalece e ancora a inserção no mundo civilizado.


(Correio Popular, 5/2)

Heróis e bandidos



I've been in this town so long that back in the city
I've been taken for lost and gone
And unknown for a long long time

Fell in love years ago
With an innocent girl
From the Spanish and Indian home
Home of the heroes and villains

Once at night Catillian squared the fight
And she was right in the rain of the bullets that
eventually brought her down
But she's still dancing in the night
Unafraid of what a dude'll do in a town full of heroes and villains

Heroes and villains
Just see what you've done
Heroes and villains
Just see what you've done

Stand or fall I know there
Shall be peace in the valley
And it's all an affair
Of my life with the heroes and villains

My children were raised
You know they suddenly rise
They started slow long ago
Head to toe healthy weathy and wise

I've been in this town so long
So long to the city I'm fit with the stuff
To ride in the rough
And sunny down snuff I'm alright

By the heroes and Heroes and villains
Just see what you've done
Heroes and villains
Just see what you've done

(Heroes And Villains, Brian Wilson, por The Beach Boys)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Anacronismo de Chávez completa 10 anos


Todo regime totalitarista se impõe pela força de seus exércitos ou de seus argumentos quiméricos, que costumam ocultar verdadeiras intenções com discursos de equidade social, de maior participação popular, de propostas reformistas. Tanto quanto são modernos nas palavras, mais retrógrados se apresentam na prática, sempre a driblar a percepção das pessoas que não conseguem ver o estreitamento dos valores democráticos.


Somente esta perspectiva explica a tolerância das pessoas com regimes que desrespeitam as liberdades individuais, os direitos econômicos da livre iniciativa e mesmo o poder de ir e vir garantido constitucionalmente na totalidade dos países livres. Há quem enxergue no domínio político totalitário o caminho para a paz, mas os modelos apresentados ao longo da história resultaram em desgraças nacionais com um alto preço a ser pago pelas populações exploradas.

Anacronicamente, a América Latina é profícua em ditaduras caudilhescas que relegam a região a uma posição menor no esquadrinhamento político mundial, elencada em categoria inferior por não incorporar os avanços e por não inserir-se na nova ordem mundial. A Cuba de Fidel resiste bravamente em suas concepções do século passado, nos últimos estertores que a empurrarão inexoravelmente ao modelo capitalista já aceito pelas novas lideranças que cuidam da transição pós-Castro.

Mais que a teimosia e reticência cubanas, a Venezuela se destaca no panorama político na figura de Hugo Chávez, que, na contramão da história, ressuscita um estilo caudilhete de governar e vai preparando uma base totalitária para impor o que chama de socialismo do século 21. Com intenção de perpetuar-se no poder, lança mão da arrogância estratégica de ter considerável reserva petrolífera e planta em terreno crítico as bases de sua revolução bolivariana.

Mantendo-se no cargo de presidente através de sucessivas mudanças constitucionais, Chávez anunciou a estatização dos serviços de telefonia e eletricidade, a modificação de contratos com as petroleiras estrangeiras, uma revolução na economia interna. No lado político, Chávez anunciou que pedirá ao Congresso – formado somente por situacionistas depois que a oposição cometeu o erro de se recusar a participar das eleições – poderes totais para legislar sobre “setores estratégicos e de segurança”.

Agora, pretende nova mudança constitucional que lhe garanta a reeleição indefinidamente. Entre os pontos da reforma proposta, Chávez planeja a criação de um “poder popular”, através dos Conselhos Comunais, que estariam na mesma escala do Executivo, Legislativo e Judiciário, com base na organização das comunidades e que seriam responsáveis pelo poder municipal.

Cheio de boas intenções no discurso, Chávez pavimenta uma nova revolução inspirada no modelo cubano, à revelia da tendência mundial. Resta saber até onde levarão os delírios de um líder instável na configuração política latina.


The impossible dream

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong

To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far


To fight for the right

Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true

To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star

(The Impossible Dream", from Man of La Mancha, 1972, music by Mitch Leigh and lyrics by Joe Darion)

Um Brasil que se descortina para os jovens


O Brasil tem dimensões continentais e, por consequência, ostenta uma multiplicidade de costumes, de carências e até de linguagem que surpreende a todos os estudiosos que tomam contato com a realidade deste país que é tão diverso quanto possível, apesar de manter unificada sua identidade cultural. Das grandes cidades até os sertões, a realidade se transforma na paisagem diferenciada, na história de cada pedaço de chão, no contraste de metrópoles de Primeiro Mundo e a realidade rudimentar dos confins, misturando riqueza e miséria, civilização e natureza amalgamadas pelo destino.


Para se falar em verdadeira unidade nacional, é preciso romper fronteiras e transformar o povo brasileiro em uma única nação, partilhando suas diferenças e conquistas, seus problemas e soluções, com uma política de crescimento adequada para cada situação, cada região. As diferenças sociais devem ser sobrepostas e os projetos de integração e desenvolvimento devem contemplar todos os matizes da sociedade.

Para alguns poucos jovens, o verdadeiro Brasil se descortina através de ações de voluntariado. O Projeto Rondon, redivivo desde 2005, tem oferecido a oportunidade de estudantes universitários compartilharem suas experiências pessoais e acadêmicas com as comunidades mais distantes, levando programas de atenção social, de saúde, educação, com o objetivo maior de desenvolver cidadania, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável.

O Projeto Rondon foi uma ideia gestada no início da ditadura militar, tendo levado de 1967 a 1989 cerca de 350 estudantes universitários a todos os recantos brasileiros sob o lema Integrar para não entregar, propondo atividades de promoção social como agricultura familiar, saneamento, abastecimento, educação especial e cuidados de saúde. A relação com o período de exceção política fez o programa ser sepultado depois de 22 anos, para ser reeditado desde 2005.

Há todo um universo a ser descoberto pelos brasileiros. As fronteiras não são geográficas, nem físicas. Para cada região há uma cultura, uma forma de encarar o mundo que não denota necessariamente pobreza, que se pode encontrar nas grandes cidades, embaixo de pontes e em favelas, mas um modo particular de ser. Há questões básicas a serem enfrentadas e difundidas. Daqui pode-se levar noções de saúde, educação, desenvolvimento sustentável; de lá, pode-se trazer harmonia com a natureza, lições de cidadania e de vida.

É o Brasil dos shopping centers encontrando a beira do rio, a mata cerrada, o sertão seco e impiedoso, com suas histórias, seu modo particular de encarar a vida e se organizar. A troca é salutar e cada jovem envolvido no projeto volta com um brilho diferente no olhar, um discurso diferente, como que desvendado o segredo que une tantas pessoas diferentes sob o mesmo teto da Nação Brasil.

(Correio Popular, 4/2)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Melancholy Man

I'm a melancholy man, that's what I am,
All the world surrounds me, and my feet are on the ground.
I'm a very lonely man, doing what I can,
All the world astounds me and I think I understand
That we're going to keep growing, wait and see.

When all the stars are falling down
Into the sea and on the ground,
And angry voices carry on the wind,
A beam of light will fill your head
And you'll remember what's been said
By all the good men this world's ever known.
Another man is what you'll see,
Who looks like you and looks like me,
And yet somehow he will not feel the same,
His life caught up in misery, he doesn't think like you and me,
'Cause he can't see what you and I can see.


(Melancholy Man, The Moody Blues)

Desvio de verbas no DST/Aids


O estreitamento das ações governamentais com as Organizações Não-Governamentais (ONGs) revelaram-se o caminho ideal para arremeter programas oficiais em todos os níveis, colhendo resultados satisfatórios, muitas vezes com as instituições assumindo responsabilidades e iniciativas que caberiam ao poder público. Não foi preciso muito tempo para que o sistema fosse adotado pelos mal intencionados de plantão, que rapidamente encontram o fio da meada para burlar a lei, jogando um manto de suspeitas sobre todas as ONGs, como se tudo se resumisse a levar vantagem a qualquer preço.


O sistema aperfeiçoou-se na medida da transparência, transformando as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos em Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), desde 1999, dando um caráter de rigor e responsabilidade que pudesse resgatar a confiabilidade em grupos de atuação que merecem respeito e apoio. Mesmo as ONGs se cercaram de instrumentos de transparência e de prestação de contas para manter claras as intenções, objetivos e programas adotados.

Em nome desta necessária clareza de metas é que todo trabalho desenvolvido entre órgãos públicos e instituições deve seu pautado pelo interesse público, de forma a não pairar dúvidas sobre contratos, aplicação de verbas, execução de projetos, remunerações. De ambas as partes deve haver a constante disposição de prestar esclarecimentos, avaliar resultados, rever metas, renovar intenções.

A entrada do Ministério Público Estadual (MP) na apuração de denúncia de irregularidades de aplicação de verbas do Programa Municipal DST/Aids, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, mostra uma legítima preocupação de avaliar a lisura dos procedimentos. A denúncia tem como foco a prestação de contas da ONG Ação Artística para Desenvolvimento Comunitário (Acadec), alvo de graves acusações de compras ilícitas, cheques adulterados, lançamentos contábeis duvidosos, recibos irregulares, além de compra de materiais sem licitação ou sem justificativa de aplicação direta nos programas desenvolvidos.

O caso chama a atenção pela riqueza de detalhes que embasam a representação e o Ministério Público é o canal para apuração da veracidade das denúncias. Atribuir responsabilidades antecipadamente é leviandade, mas com certeza o caminho para a normalidade é informar a sociedade do destino das verbas disponibilizadas. É preciso que a Administração Municipal cumpra sua cota de responsabilidade legal e estabeleça mecanismos efetivos de controle de gastos de instituições parceiras, obrigando a processos de licitação pública e prestação de contas onde não possam parar dúvidas. Especialmente em defesa das organizações sérias que ainda são o canal adequado para estender à sociedade o braço adormecido das ações públicas.

(Correio Popular, 2/2)

O Dia em que a Música Morreu

Para Buddy, Ritchie e Richardson, 50 anos

Há 50 anos, a queda de um avião monomotor em um campo coberto de neve no estado do Iowa, EUA, matou na hora três jovens cujos nomes ficariam gravados para sempre na história do rock’n’roll: Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. "The Big Bopper" Richardson. Um divisor de águas na trajetória do gênero, o episódio foi batizado pelo compositor Don McLean como “o dia em que a música morreu” (American Pie).

A long, long time ago,
I can still remember,
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance,
And maybe they'd be happy for a while.

But February made me shiver

With every paper I delivered.
Bad news on the doorstep;
Couldn't take one more step.

I can't remember if I cried

When I read about his widowed bride.
But something touched me deep inside
The day the music died.
So...

Bye, bye Miss American Pie
Drove my Chevy to the levee but the levee was dry.
Them good ol' boys were drinking whiskey & rye
Singing "This'll be the day that I die;
Yes n' this'll be the day that I die."

Did you write The Book of Love?
And do you have faith in God above
If The Bible tells you so?
Oh, do you believe in Rock 'n Roll?
Can music save your mortal soul?
And can you teach me how to dance real slow?
Well I know that you're in love with him
'Cause I saw you dancin' in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man I dig those Rhythm and Blues.
I was a lonely teenage broncin' buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.
started singing...

Now for ten years we've been on our own,
And moss grows fat on a rolling stone.
But that's not how it used to be.
When the Jester sang for the King and Queen
In a coat he borrowed from James Dean
And a voice that came from you and me,
Oh, and while the King was looking down,
The Jester stole his thorny crown
The court room was adjourned
No verdict was returned.
And while Lenin read a book on Marx,
he quartet practised in the park
And we sang dirges in the dark
The day the music died.

Helter skelter in a summer swelter
The birds flew off with the fallout shelter.
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass
The players tried for a forward pass
With the Jester on the sidelines in a cast.
Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance
'Cause the players tried to take the field
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?
We started singing...

Oh And there we were all in one place:
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on Jack be nimble Jack be quick
Jack Flash sat on a candlestick
'Cause fire is the devil's only friend.
And as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in Hell
Could break that Satan's spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial riteI saw Satan laughing with delight
The day the music died.
He was singing...

I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news.
She just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where I'd heard the music years before,
But the man there said the music wouldn't play.
And in the streets the children screamed;
The lovers cried and the poets dreamed,
But not a word was spoken.
he church bells all were broken.
And the three men I admire most,
The Father, Son, and Holy Ghost,
Caught the last train for the coast
The day the music died.
And they were singing...

(American Pie, Don McLean)


Tradução livre ...

Há muito, muito tempo atrás
Eu ainda consigo me lembrar Como aquela música me fazia sorrir
E sabia que se eu tivesse minha chance
Eu poderia fazer aquelas pessoas dançarem
E, talvez, elas seriam felizes por um momento
Mas fevereiro me fez tremer
Com cada jornal que eu entreguei
Más notícias na porta

Eu não podia dar mais nenhum passo
Eu não consigo lembrar se eu chorei
Quando eu li sobre a viúva dele
Mas algo me comoveu profundamente
O dia que a música morreu

Então, tchau tchau, Miss American Pie
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei"

Você escreveu o livro do amor?
E você tem fé em Deus? Se a Bíblia te dizer que é assim,
Você acredita em Rock n' Roll?
A música pode salvar sua alma mortal?
E você pode me ensinar a dançar bem devagar?
Bem, eu sei que você está apaixonada por ele
Pois eu vi vocês dançando no ginásio
Vocês dois tiraram os sapatos
Cara, eu entendo o "rhythm and blues"
Eu era um adolescente solitário e desajeitado
Com um cravo rosa e uma caminhonete,
Mas eu sabia que estava sem sorte No dia em que a música morreu
Eu comecei a cantar

Agora por 10 anos nós estivemos sozinhos
E musgo cresce numa pedra rolante
Mas não era assim antes
Quando o bobo da corte cantou para o rei e a rainha
Com um casaco que ele pegou emprestado do James Dean
E uma voz que veio de nós
Oh, e enquanto o rei estava olhando para baixo
O bobo da corte roubou sua coroa de espinhos
A corte judicial foi adiada
Nenhum veredicto foi retornado
E enquanto Lenin lia um livro de Marx
O quarteto praticava no parque
E nós cantamos lamentações** no escuro
O dia que a música morreu
Nós estávamos cantando

Helter Skelter num verão abafado
Os pássaros voaram com abrigo
Oito milhas de altura e caindo rápido
Pousou na grama
Os jogadores tentaram um passe para frente
Com o bobo da corte no campo
Agora o ar do primeiro tempo foi doce perfume
Enquanto os sargentos tocavam uma marchinha
Todos nós levantamos para dançar
Oh, mas nós nunca tivemos chance
Porque os jogadores tentaram tomar o campo
A banda da marchinha se recusou a desistir
Você se lembra o que foi revelado
No dia que a música morreu?
Nós começamos a cantar

Oh, e lá estávamos nós num único lugar
Uma geração "Perdida no Espaço"
Sem tempo para recomeçar
Então, vamos, Jack, seja ágil, Jack, seja rápido
Jack Flash sentou num castiçal
Porque o fogo é o único amigo do diabo
Oh, e enquanto eu o via no palco
Minhas mão estavam cerradas em punhos de raiva
Nenhum anjo nascido no inferno
Poderia quebrar o feitiço do Satanás
E enquanto as chamas subiam pela noite
Para iluminar o ritual de sacrifício
Eu vi o Satanás rir com satisfação
No dia que a música morreu

Eu conheci uma garota que cantava blues
E eu pedi a ela umas boas notícias
Mas ela só deu um sorriso e foi embora
Eu fui à loja sagrada
Onde eu tinha escutado a música anos atrás
Mas o homem lá disse que a música não tocaria
E nas ruas as crianças gritavam
Os amantes choravam e os poetas sonhavam
Mas nenhuma palavra foi dita
Os sinos da igreja estavam todos quebrados
E os três homens que eu mais admirava
O Pai, o Filho e o Espírito Santo
Pegaram o último trem para o litoral
No dia em que a música morreu

E eles estavam cantando

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Oportunidade de um recomeço político


A consciência política é um longo processo que implica na experiência de todos os envolvidos, no conhecimento histórico, a capacidade de estabelecer relação entre o modo de vida de uma sociedade e a atuação de seus representantes. A manipulação das massas acabou por se tornar um instrumento nas mãos dos maus políticos, hábeis em criar estereótipos que confundem os eleitores mais simples e os ajudam a se perpetuar no poder sob falsas promessas e discursos vazios.


Os brasileiros desacostumaram-se a trazer a política para a conversa do dia-a-dia, criando um modelo de alienação que se reforçou no período da ditadura militar e anulou a criação de muitas lideranças e espaços para a militância. Os partidos mudaram, a legislação eleitoral passou por vários percalços até que se chegasse a um modelo de pluripartidarismo discutível, onde a ideologia e a fidelidade são meras citações em programas que mais parecem peças de ficção.

As últimas eleições foram marcadas por uma enorme expectativa dos eleitores, finalmente amadurecidos diante da avalanche de denúncias de corrupção, envolvimento de políticos em falcatruas e escândalos, além da crônica omissão diante de todos os grandes debates nacionais. Os políticos distanciaram-se de tal forma da sociedade que amargam o pior conceito que se lhes pode atribuir.

Em todo o País, as Câmaras e Prefeituras estão inaugurando uma nova fase política. É também a oportunidade de reafirmar compromissos de desempenhar o serviço público com lisura e transparência, buscando resgatar um prestígio e uma representatividade que se perdeu na lama das denúncias e comprovação de desvio de verbas e funções.

O saldo trazido da passada composição do Legislativo não recomenda muito otimismo, embora tenha havido significativa mudança no quadro de vereadores. Houve momentos em que a vergonha pública atingiu índices escandalosos, salvando-se poucos nomes que honraram minimamente a confiança dos eleitores. No mais, foi uma sucessão de escândalos, de acusações, de baixa política de negociatas, que só não tiveram maiores consequências por conta do corporativismo que blindou a ação fiscalizadora e moralizadora.

O momento é de mais do que expectativa. É de apreensão diante dos primeiros passos a serem dados nesta legislatura, que poderão ser um bom indicador do que virá pela frente nos próximos quatro anos. O amadurecimento dos eleitores tende a concentrar o foco nas ações dos políticos, aumentando o nível de cobranças no sentido do restabelecimento da verdadeira representação popular.


A responsabilidade e a omissão do Estado


A atribuição de funções de governo e administração implica em divisão de competências e responsabilidades, sempre determinadas pelo grau de ingerência oficial no cotidiano dos cidadãos. Setores essenciais e classificados como de segurança comum costumam manter-se na esfera de decisão de poderes, instados a prover e interferir sempre que o direito do cidadão e da sociedade como um todo sejam ameaçados.


Segurança pública e justiça são elementos da mesma ordem, instituídos como forma de dar garantias de vida e harmonia de interesses, sempre que houver qualquer transgressão que possa afetar a normalidade. Daí as constantes cobranças da sociedade pelos aparatos policiais, pela manutenção democrática das instituições, pela aplicação justa de penas a infratores e o ajuizamento legal de todas as pendências.

Quando o Estado se mostra omisso em suas obrigações, há a natural pressão dos cidadãos, ávidos pelo exercício dos direitos, cobrando atitudes e programas que contemplem todos os aspectos sociais de governo. Não raro, o próprio Estado mostra-se inadimplente em suas responsabilidades, recaindo sobre os contribuintes o ônus da incompetência e da leniência oficiais, que fazem com que a aplicação da justiça seja um distante objetivo a ser perseguido.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu impor ao governo de São Paulo condenação pelo crime de estupro de uma estudante de 12 anos dentro de uma escola pública no município de Hortolândia (Correio Popular, A5, 28/1). Entenderam os juízes que o Estado não garantiu a segurança e integridade física da estudante dentro de um prédio público e deve pagar uma indenização estipulada em R$ 177 mil. O mesmo tribunal já havia condenado o estuprador a 9 anos de prisão.

A notícia traz uma importante decisão, ao atribuir responsabilidade absoluta do Estado com relação às consequências de sua omissão. Normalmente, governos e prefeituras se eximem da culpa que lhes cabe, com certeza, adiando providências, pagamentos e indenizações morais, como se não lhes pudesse imputar culpa.

Ninguém tem ilusão de ser indenizado por danos materiais em um veículo por conta de um buraco. A irresponsabilidade de muitos administradores que levou a inúmeros precatórios que não foram cumpridos raramente recai sobre seus autores. Desapropriações de imóveis ocorrem, e ocorreram em escala extraordinária até poucas décadas atrás, sem qualquer pagamento justo. Haja vista que proprietários de imóveis na Avenida Aquidabã, em Campinas, até hoje não receberam seus direitos de desapropriação. Estes e vários exemplos podem ser alinhavados para mostrar o quanto falta a percorrer para que a Justiça seja aplicada contra instituições públicas, com rapidez e rigor.

O caso da indenização da jovem vítima aponta diretamente para os verdadeiros responsáveis pelo crime. É preciso que a lei seja aplicada em quem de direito e que o conceito de impunidade não se estenda aos ocupantes dos cargos públicos, pagos para se desincumbirem responsavelmente de suas obrigações.

(Correio Popular, 31/1)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Roda Viva


Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

(Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda)